Foto de @fanos-kolsky no Pexels.


O dia 19 de agosto de 2026 foi um dia atípico na cobertura midiática do futebol.

Alguns treinadores se manifestaram, vários jornalistas comentaram, milhares de fãs do esporte se impressionaram, postaram, repostaram, discutiram e refletiram.

O mundo da bola, por alguns instantes, parou de girar em sua própria alienação e enxergou um vislumbre da verdade: a busca obsessiva pelo sucesso nas quatro linhas rouba, mata e destrói tudo o que há de mais precioso na vida humana.

O que aconteceu neste dia foi a estreia do documentário "A Beautiful Obsession" (Uma Bela Obsessão), que retrata os bastidores das duas últimas temporadas de Pep Guardiola no comando do Manchester City (2024–2026). A produção expõe o desgaste físico e mental do treinador, crises no vestiário e conflitos com jogadores.

Mais do que os temperos instigantes da rotina diária de um time top de linha do futebol internacional, o documentário mostra um dos semideuses do futebol contemporâneo como um homem desmoronado em profundo sofrimento.

A revelação do quanto Pep Guardiola perdeu ao ganhar tudo, suas confissões de arrependimento (ou remorso, não tenho como saber) e o "fundo do poço" existencial em que ele se atolou, é chocante. Perguntar-se "mas valeu a pena?" fica até desnecessário.

“Eu nem sei o que vou fazer. Será difícil voltar. Esse é o meu sentimento hoje. Preciso renovar muitas coisas que aconteceram na minha vida pessoal." - disse o treinador em uma das cenas.

Em 19 anos de carreira como treinador, Pep Guardiola soma 40 títulos oficiais

Venceu 3 vezes a UEFA Champions League, a taça mais cobiçada da Europa (e do mundo).

Foi o primeiro treinador a conquistar a tríplice coroa europeia (liga nacional, copa nacional e Champions League) por dois clubes diferentes (Barcelona e Manchester City).

Com Guardiola, o Manchester City foi a primeira equipe a vencer a Premier League quatro anos consecutivos e a atingir 100 pontos numa única temporada (2017/18).

Também foi a primeira equipe a conquistar, na mesma temporada (2018/19), os quatro principais troféus nacionais do futebol inglês: Premier League, FA Cup, Copa da Liga Inglesa e Supercopa da Inglaterra.

Não mencionarei outros recordes (são muitos!) porque, na minha opinião, com todo esse saldo na mesa, já podemos nos perguntar:

O quanto valeu tudo isso?

O quanto custou o trabalho de Pep Guardiola?

Se perguntarmos para seus ex-patrões, certamente ouviremos algo do tipo: "considerando o rendimento esportivo e financeiro que esse treinador produziu, custou muito pouco". Por mais de uma década, Pep Guardiola foi um dos treinadores mais bem pagos do mundo, com salários anuais na casa dos 20 milhões de dólares. Seu trabalho, em todas as temporadas, gerou receitas muitas vezes maiores do que isso.

Se perguntarmos para o treinador, o quanto custou para você vencer tudo isso?

Apenas ele pode responder.

Do que veio a público, podemos refletir: Pep Guardiola, um dos maiores treinadores da história, referência para milhares no futebol, de repente se tornou também um exemplo do quanto a busca obsessiva pelo sucesso custa perdas inestimáveis.

Dada a expressividade desse homem para o futebol mundial, acredito que esse assunto vai perdurar por alguns meses.

Na mesma data da estreia do documentário, tivemos um exemplo de repercussão:

Abel Ferreira, na coletiva após a partida do Palmeiras contra o Cerro Porteño pela Libertadores, sutilmente citou o caso e se inspirou no que assistiu para responder as críticas que sua equipe vinha sofrendo. O treinador condenou a supervalorização insana da vitória e do primeiro lugar em detrimento do reconhecimento dos processos pautados no trabalho, no esforço, na ética e nos valores humanos.

Sintetizou muita coisa errada em uma frase simples e objetiva: "o futebol está doente".

"Não é só a imprensa, acho que o futebol de modo geral está doente. Se não ganha é fraco, se não fica em primeiro não presta, o segundo é uma merda. Não só no Brasil, o futebol de uma forma geral está doente. Estamos obcecados com o sucesso e o primeiro lugar e pouco valorizam o esforço de tentar jogar. Essa é a minha opinião. O futebol anda doente."

"O futebol deveria unir as pessoas e ser sadio, onde as pessoas levassem a família. Futebol cria emoções, momentos em família. O Brasil é o país do futebol, não deixem que o futebol fique doente. Não é para sair a pancada, andar a violência. Fazemos parte do futebol e, se não cuidarmos disso, ficará cada vez pior."

Mas e depois que todos assistirem ao documentário, comentarem, postarem, discutirem e seguirem consumindo o futebol como sempre... Alguma coisa vai mudar? A doença do futebol será tratada e curada?

Os mais pessimistas ou preguiçosos ou indiferentes a tudo isso podem responder: "isso é o futebol... sempre foi assim e sempre será".

Para os que assim pensam, eu digo o seguinte: perder a vontade de lutar é decretar a própria derrota. Foi bom ter você aqui, agradeço pela leitura. Até mais!

Daqui para frente, o texto segue com aqueles que querem jogar e vencer.

Eu escolho trabalhar e lutar, acreditando que está ao alcance de cada um de nós combater a doença do futebol.

Independentemente do papel que exercemos hoje no mundo da bola, podemos transformar nossa maneira de nos relacionar com o futebol, de modo que o esporte promova a vida e não a morte. Se cada um de nós fizermos isso com autenticidade e excelência, estaremos contribuindo para o longo processo de cura.

O primeiro passo para se curar uma doença é compreendê-la. Afinal, sobre o quê estamos falando?

A doença do futebol

Toda pessoa, em algum grau, é responsável por suas escolhas. O Pep Guardiola escolheu ser treinador no contexto do alto rendimento. Escolheu se preparar para ser acima da média. Escolheu se dedicar com todo o seu coração, alma, força e entendimento ao futebol. Escolheu repetir tudo após vencer tudo. Escolher continuar perdendo enquanto ganhava. E agora escolheu parar.

Escolheu perseguir o sucesso obsessivamente.

Uma questão importante é: como as pessoas definem o que é sucesso?

Na Psicologia Social, há um conceito bastante interessante que nos ajuda a responder essa pergunta e aprofundar nossa compreensão sobre a doença do futebol.

Serge Moscovici (1925-2014), psicólogo romeno, baseado nos escritos de Émile Durkheim (1858-1917), adaptou o conceito de Representação Social à Psicologia Social: na sua perspectiva, as Representações Sociais são formas de interpretar e pensar a realidade cotidiana, abrangendo todas as atividades mentais desenvolvidas pelas pessoas e seus grupos na elaboração de uma visão sobre as situações, os eventos, os objetos e ideias que os cercam.

Bock, Furtado e Teixeira (2001, p. 144), assim definem:

"A representação social é a denominação dada ao conjunto de ideias que articula os significados sociais, isto é, o sentido construído coletivamente para o objeto, com o sentido pessoal. Envolve crenças, valores e imagens que os indivíduos constroem, no decorrer de suas vidas, a partir da vivência na sociedade."

Desse modo, as Representações Sociais são produtos de uma influência mútua entre o indivíduo e o grupo social com o qual convive. Ao mesmo tempo que o sujeito constrói e compartilha suas representações, ele as reconstrói a partir das informações percebidas e interpretadas no mundo.

No futebol, quando pensamos sobre sucesso, imediatamente visualizamos um padrão de imagens mentais. Em geral, o que vem em mente são contratos com os grandes clubes, salários astronômicos, títulos, fama, recordes, reconhecimento público de competências e habilidades, deixar um legado expressivo no esporte.

Todas essas imagens (e outras mais) formam a Representação Social de sucesso no futebol. Ela não surgiu do nada, mas foi construída coletivamente ao longo da história.

Por isso, ao mesmo tempo que o Pep Guardiola foi responsável por suas escolhas, ele também foi fortemente influenciado pela dimensão histórica, social e cultural do futebol.

Ou seja, durante toda a sua vida - desde a infância, adolescência, até os tempos como jogador e treinador - Guardiola interceptou à sua volta informações, significados e sentidos relacionados ao futebol, construindo e reconstruindo suas representações sociais. Sendo simultaneamente produtor e produto da sua sociedade.

Esse fenômeno acontece com tudo na vida. Desenvolvemos representações sociais sobre todas as coisas. No futebol, não seria diferente.

Então, quando concordamos que o futebol está doente, estamos recrutando quais significados e sentidos em nossas mentes?

Estamos dizendo isso apenas porque vimos o que aconteceu com o Guardiola, um semideus do futebol exposto como um homem vulnerável?

Ou estamos dizendo isso apenas porque o Abel Ferreira falou?

É aqui que iniciamos um processo de reflexão crítica, em que tentamos analisar o que nós pensamos sobre o futebol (nossas representações sociais) e podemos decidir se queremos permanecer com essas ideias ou renovar nossas representações (passar por uma metanoia).

Se há uma doença, acredito que ela está escondida na representação social de sucesso. E dissecar essa representação não é fácil, muito menos contestá-la.

A principal representação social de sucesso no futebol, adotada pela maioria, é muito forte e resistente por ser:

  1. tradicionalmente racionalizada pelos torcedores como a lógica do esporte;
  2. diariamente cultivada pela mídia (de formas explícitas e sobretudo implícitas);
  3. ingenuamente internalizada por jogadores, treinadores e a maior parcela dos profissionais que trabalham no futebol;
  4. e economicamente vantajosa e valiosa para os que de fato controlam o futebol, a mídia e o mundo.

Reflita sobre as representações sociais de sucesso que predominam:

O que é ser uma escolinha de futebol bem-sucedida?

O que é ser um professor de futebol bem-sucedido?

O que é ser um clube de formação bem-sucedido?

O que é ser um treinador de base bem-sucedido?

O que é ser um clube profissional bem-sucedido?

O que é ser um treinador bem-sucedido?

O que é ser um jogador bem-sucedido?

As imagens de sucesso geralmente são: enviar crianças para grandes clubes, vender ativos valiosos, ganhar campeonatos e fechar contratos milionários.

Todos os que não alcançam esses "sucessos" são fracos, derrotados e fracassados?

Se perseguir obsessivamente sucessos como esses rouba, mata e destrói, adoecendo e esvaziando a vida de sentido, por que somos incentivados a isso todos os dias?

Porque alguns são ricamente favorecidos por essa lógica.

Quem capitaliza em cima da busca desenfreada pelo sucesso e enriquece a custa de tantos adoecimentos no futebol?

Esses são os principais interessados na manutenção da lógica vigente. E para que ela funcione, supervalorizando o produto futebol e incentivando tanta gente a se sacrificar por suas glórias, é necessário existir os ídolos, os semideuses, as referências máximas de sucesso. Elas facilitam a absorção do estado de jogo (fora e dentro de campo), qualificam o espetáculo e se estabelecem como inspiração para toda uma massa de sonhadores.

A temporada de 2022/23 foi a mais vitoriosa de Guardiola no Manchester City, com a conquista da Tríplice Coroa: liga nacional, copa nacional e Champions League. Seu contrato na época era de 24,5 milhões de dólares.

Como era arrebatador assistir aos jogos dessa equipe! Era inevitável não imaginar como seria, por alguns instantes, ser um daqueles craques. Ser o treinador. Jogar junto, sentir junto.

A incrível equipe do Manchester City de 2023, assim como muitas outras, impressionou, tocou, emocionou e inspirou a muitos. No mínimo, retroalimentou o interesse global pelo futebol.

Por curiosidade, fiz um levantamento comparando o salário de Guardiola com as receitas de alguns stakeholders no futebol e no mundo. Pesquisei as receitas anuais de 2023 da CBF, do Manchester City, da UEFA, da FIFA, das Bets no Brasil e no mundo, da Nike e da Big Pharma (a segunda maior indústria mundial, perdendo apenas para a indústria bélica).

O comparativo é um tanto esclarecedor: escancara a raiz da doença.


Veja o quanto os ganhos de um dos treinadores mais bem pagos da história, de uma das maiores equipes do futebol mundial, ficam irrisórios perto das riquezas acumuladas por aqueles que realmente mandam no jogo.

Gastarmos tempo para ler, pensar, refletir, trocar ideias e reconstruir nossa representação social de sucesso no futebol é interessante para aqueles que governam o esporte e o mundo?

Certamente não, porque o futebol doente é mais lucrativo.

Não é apenas uma questão de espetáculo por distração ou por prazer. A insanidade, a dedicação exacerbada, os excessos - dos torcedores, jogadores, treinadores, jornalistas, todos os players - geram muita grana.

E o fato de isso ser insustentável - ninguém conseguir levar uma vida de dedicação insana ao futebol por tanto tempo - não é um problema. Porque a representação social de sucesso resolve: sempre haverá milhares e milhares querendo entrar no jogo, dispostos a entregar tudo, a apostar tudo. Afinal é este o caminho para a realização.

Incentivam o sacrifício de tudo o que é mais sagrado por uma ilusão. É como correr atrás do vento.

Irei um pouco mais a fundo. Quero expor dois detalhes da realidade que geralmente ficam ocultos: os salários e a saúde mental no futebol.

Embora os valores estratosféricos do topo da pirâmide do futebol mundial estejam firmemente associados ao sonho de ser jogador, no Brasil, em 2016, segundo estudo da CBF, dos 28.203 jogadores de futebol no país, 23.238 (82,4%) ganhavam até R$ 1.000, ou pouco mais de um salário mínimo. Outros 3.859 atletas (13,68%) recebiam de R$ 1.000,01 a R$ 5.000.

Em um outro relatório da CBF publicado em 2019, cerca de 80% da soma de todos os salários dos jogadores profissionais estavam concentrados nos pés de somente 7%. E metade dos atletas (55%) ganhavam até um salário mínimo.

Na busca pela profissionalização no futebol, mais de 99% dos candidatos ficam pelo caminho. Dos menos de 1% que conseguem se profissionalizar, como provam os números, a maioria (mais de 90%) não alcança os contratos milionários.

Ainda que a estatística demonstre que atingir o "sucesso financeiro" no futebol é muito raro, a ideia de que essa chance existe para todos precisa continuar existindo, com exemplos de história de superação frequentemente divulgadas e ostentadas nas mídias, para que a representação social seja retroalimentada.

Ciampa, Leme e Souza (2010) descrevem esse processo:

“Esse ciclo que se inicia na socialização primária das crianças, carregado de emoção e simbolismo e que as acompanha pela vida adulta é reforçado pela exposição intensa do esporte na mídia, que comumente destaca as histórias de sucesso e de superação de atletas e/ou equipes. Resultante dessa correlação entre esporte, socialização e mídia (televisão, jornais, revistas, rádio, internet, etc.) são a glamorização e o magnetismo exercido pelo esporte, aludindo a idéia de um sucesso profissional consequente à prática esportiva, que viria com certa naturalidade, pois ao “nascermos” no Brasil, todos seremos jogadores de futebol (p. 30).”

Do ponto de vista de quem ocupa o topo do sistema, é interessantíssimo ter milhões de pais, jovens e crianças sonhando com a loteria premiada e apostando todas as fichas na mínima possibilidade de ganhá-la. Mesmo que isso custe a ruptura de laços familiares, o rendimento escolar, o adoecimento físico e mental.

Portanto, se a representação social de sucesso concebe como "normal" a profissionalização precoce de crianças e adolescentes no futebol, é porque todo o sistema reforça continuamente essa prática, lucrando bilhões a custa do sofrimento de muitos.

Em relação à saúde mental, encontramos contradições semelhantes.

A figura do atleta sempre esteve relacionada ao mito do herói. E a rotina de um jogador, para as crianças e os adolescentes, é frequentemente representada como um paraíso. Entre os torcedores e até jornalistas, também é possível encontrar comentários alusivos ao privilégio de viver de jogar bola.

A realidade revelada, no entanto, é que os atletas profissionais trabalham num contexto bastante adoecido, com uma incidência de transtornos mentais bem acima da média populacional:

Fonte: Gráfico elaborado pelo Prof. Dr. Alberto Filgueiras, apresentado no “Webinar Psicologia no futebol em tempos de pandemia: humanização vs intervenção", realizado no dia 13/05/2020 pela CBF Academy. Os dados apresentados baseiam-se no estudo de Rice et al. (2016) e na declaração de consenso do Comitê Olímpico Internacional (REARDON et al., 2019).


O que a representação social de sucesso tem a dizer sobre tudo isso?

Talvez falte a tal da mentalidade vencedora.

Sim, a mesma que o ex-treinador do Manchester City, Bayer de Munique e Barcelona sempre demonstrou.

O esporte de alto rendimento poderia ser menos agressivo à saúde mental? Poderia ser mais sustentável a longo prazo, tanto para os atletas quanto para os treinadores?

Eu acredito que sim.

Podemos lembrar das discussões sobre calendários, excessos de jogos e competições, falta de tempo de recuperação e descanso. Mas também temos que colocar na lista a supervalorização da vitória, a busca obsessiva pelo sucesso e o superfaturamento decorrente disso tudo.

Não precisa ser assim.

Do nível individual ao coletivo, poderíamos nos contentar com limites menores. Poderíamos ter como referência representações de sucesso com salários mais enxutos, conquistas menos expressivas, estilos de vida e carreira mais sustentáveis.

Não estou dizendo que deveríamos nos acomodar. Valorizo a excelência (no caráter, na aprendizagem contínua e no desempenho) e a evolução (consistente, sustentável e contextualizada). Quero seguir me desenvolvendo e me aperfeiçoando todos os dias, e trabalharia para gerar essa cultura na minha equipe. Porém, com satisfação e gratidão. Com responsabilidade. Com equilíbrio. Reconhecendo que há valores bem mais valiosos do que títulos e dinheiro. E que não adianta nada ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma.

Um futebol assim, humanizado, seria mais saudável em todos os sentidos.

Como podemos curar o futebol?

Pep Guardiola é apenas mais uma célula adoecida de um corpo tomado pelo câncer.

A cura? Começa nos nossos corações.

Existe uma sabedoria ancestral que diz: "Pois o amor ao dinheiro é uma fonte de todos os tipos de males. E algumas pessoas, por quererem tanto ter dinheiro, se desviaram da fé e encheram a sua vida de sofrimentos." (1 Timóteo 6:10, NTLH)

Releia substituindo a palavra "dinheiro" por "títulos", "contratos milionários", "recordes", "fama", "aprovação"... O sentido permanece.

Tanto no futebol quanto na vida precisamos escolher a quem iremos servir e por quais valores iremos jogar. Essa escolha começa no que permitimos reinar nos nossos corações.

Seja como torcedores, pais, empresários, dirigentes, coordenadores, treinadores, jogadores, jornalistas... Precisamos nos questionar todos os dias por que fazemos o que fazemos. Por que queremos o que queremos.

Qual é o propósito? Quais são os valores priorizados? Qual é a intenção?

Além da autorreflexão, temos que olhar para o lado, nos relacionar e nos importar com os outros, estudar os escritos dos mais sábios, aprender com os erros passados e escolher fazer diferente. Não por simplesmente ser diferente, mas para ir contra a lógica vigente e humanizar o futebol.

Arrigo Sacchi foi quem disse: "o futebol é a mais importante das coisas menos importantes da vida". Não sei o quanto ele verdadeiramente aplicou essa filosofia. Mas concordo.

Há muitas conquistas na vida que são maiores do que as maiores glórias do futebol.


Referências

BOCK, A.; FURTADO, O.; TEIXEIRA, M. Psicologias. Uma introdução ao estudo de Psicologia. São Paulo: Saraiva, 1999.

CIAMPA, Antonio da Costa; LEME, Clodoaldo Gonçalves; SOUZA, Renato Ferreira. Considerações sobre a formação e transformação da identidade profissional do atleta de futebol no Brasil. Revista Diversitas - Perspectivas en Psicología, Bogotá, v. 6, n. 1, 27-36, 2010.

CBF. Impacto do Futebol Brasileiro. CBF, 2019. Disponível em: <https://conteudo.cbf.com.br/cdn/201912/20191213172843\_346.pdf> Acesso em: 4 nov. 2021.

REARDON, C. L. et al. Mental health in elite athletes: International Olympic Committee consensus statement (2019). British Journal of Sports Medicine, v. 53, n. 11, p. 667–699, 16 maio 2019

RICE, S. M. et al. The Mental Health of Elite Athletes: A Narrative Systematic Review. Sports Medicine, v. 46, n. 9, p. 1333–1353, 20 fev. 2016.

ZOGBI, Paula. Só um jogador de futebol brasileiro ganha mais de R$ 500 mil, 82% ganham até R$ 1.000. InfoMoney, São Paulo, 23 fev. 2016. Disponível em: https://www.infomoney.com.br/carreira/so-um-jogador-de-futebol-brasileiro-ganha-mais-de-r-500-mil-82-ganham-ate-r-1-000/. Acesso em: 21 ago. 2026


Por Victor Butzloff